o vento cortava a nuca as quase quatro e meia da manhã. o terminal ainda estava vazio e poucos bêbados e loucos estavam indo para algum lugar naquele sábado azul marinho.
o ônibus parado à uns vinte minutos agoniava a pequena fila. não muito longe, o cobrador trocava o observar entre a fila muda e o cigarro do motorista, que logo lhe indicou para que começasse a viagem.
subiu e deu o sinal aos poucos, que foram passando pela catraca e sentando o mais possível longe um do outro.
já de partida, alguns cinco operários gritaram pelo ônibus e subiram barulhentos. sentaram-se todos nos últimos bancos e foram falantes.
no primeiro ponto o único a se atrever foi o travesti semi-nu de branco. subiu de top e mini-saia com a invisível calcinha amostra. passou, mexeu com o cobrador indiferente, rebolou para o velho roncando e logo viu os operários sedentos. achou de bom grado desfilar até lá, já entre eles parou na melhor posição para seguir viagem. levou os dois braços magros até os ferros mais altos, empinando o cú para os homens, que de tão incomodados se excitaram. o do canto começou com uma punheta tímida.
entre as gargalhadas, bofetões e putarias, foi aos berros até o ponto da primeira favela do itinerário e desceu implorando por seu padê. na mesma parada subiram dois caras sóbrios, sujos e cabeças baixa.
o primeiro, mais alto, pediu para passar por baixo. de tão alto demorou tempo suficiente para que todos avaliassem. o segundo, pequeno, quis aproveitar, porém o cobrador observador negou-lhe, até que não houvesse pedido oficial:
- mas ele pediu...
- você não. não vai passar.
- o senhor me deixa passar de baixo da catraca, senhor?
- pode passar. agora sim. é assim que funciona meu amigo. não vem com essa de ir na cola dos caras - vencia o cobrador enquanto o pequeno mais ligeiro se apertava entre os ferros.
- tudo bem, senhor. já foi. nem adianta ficar falando.
o ônibus era daqueles novos, onde a porta fica do lado do cobrador. os dois permaneceram ali mesmo e o mais alto falava sem parar para o menor pensativo.
perto da outra favela. menos agitada que a outra eles deram sinal. quando foi parando o primeiro saltou, seguido do menor que tirou a arma da mochila levada na frente do peito e atirou sem suspiro na cabeça do distraído.
sumiu por entre os tijolos e telhas cinzas, lixo e cachorros no começo da manhã. o labirinto sugou os dois tão rápido quanto a agilidade, a bala e o corpo caído por cima do banco ao lado.
lento era só aquele vermelho escorrendo pelo chão metal.
o sábado começou infinito.
domingo, 1 de julho de 2007
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2 suas firulas:
bukowski está orgulhoso neste momento.
como o velho safado diria :
what trip man!!!
uh-la-la, que texto!
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